TESTES E RETESTES PROCESSUAIS
Os testes e retestes do processo de inovação tecnológica podem ser divididos em diversas etapas e de diferentes formas. Sob o ponto de vista longitudinal, em que se pode vislumbrar todas as etapas do processo de inovação, há testes voltados à garantia de que a quantidade de etapas de produção seja adequada para gerar o resultado desejado. Isso significa verificar se não há etapas a mais ou a menos do que o necessário.
Também existem os testes de qualidade dos subprodutos, que devem ser gerados pelas etapas fornecedoras e entregues às etapas clientes. Além disso, há os testes de resultados, voltados a aferir se o protótipo entrega os benefícios que a tecnologia deve proporcionar. Esses podem ser chamados de testes internos do processo de produção.
Há, ainda, os testes externos ao processo produtivo, mas vinculados a ele, como os testes econômico-financeiros, de capacidade de produção, jurídicos e mercadológicos, entre outros. Esses podem ser chamados de testes de produção.
Outro grupo é formado pelos testes que vinculam a organização produtora da tecnologia aos seus públicos-alvos, como os logísticos, tecnológicos, ecológicos, políticos, sociais, demográficos, legais e econômicos. Esses podem ser denominados testes interorganizacionais.
Isso mostra que os processos são um sucedâneo de etapas, que começam com a configuração das fases responsáveis pela geração do protótipo e terminam com aquelas que levam à conformidade da tecnologia gerada com as diversas condições que sustentam o relacionamento entre quem produz a tecnologia e quem a demanda ou usufrui.
Os testes e retestes de linha de produção, ou de processos internos de produção, focam na busca de respostas a duas questões centrais: o que é feito e como é feito. Aplicada a uma etapa, a resposta à primeira questão identifica o subproduto a ser gerado e entregue à etapa seguinte. Já a resposta à segunda descreve o passo a passo que a etapa deve seguir para materializar sua produção.
Outras questões adicionais podem e precisam ser feitas para que haja o aprimoramento contínuo de cada etapa. Entre elas estão as contidas em diversas ferramentas de análise de processos e de produção, como o PDCA, o DMAIC e outras metodologias.
Os testes de produção, em última análise, focam os produtos semiacabados para garantir que estejam em conformidade com o que é esperado pelas etapas clientes. Esses testes e retestes precisam ser aplicados porque conseguem identificar problemas e suas causas, mapeadas por técnicas como raiz de falhas e árvore de problemas.
Além disso, esses testes garantem que a qualidade do protótipo seja consistente com a tecnologia que se pretende gerar, de maneira que consiga entregar os benefícios almejados pelos clientes finais.
Os testes e retestes de produção são aqueles voltados para o que se poderia chamar de sistema integrado de produção. A linha de produção, ou processo de produção da tecnologia, está conectada às atividades-fim e às atividades-meio em qualquer organização ou instituição de ciência e tecnologia.
Em uma universidade pública, por exemplo, a geração de tecnologia está sujeita a uma série de procedimentos burocráticos que precisam ser seguidos. Esses procedimentos vão desde o disciplinamento da carga horária diária, semanal e mensal de trabalho até as especificações de importação de peças e componentes do exterior.
Além disso, é necessário lidar com ditames jurídicos e impedimentos comerciais que uma empresa privada, muitas vezes, não enfrentaria. Embora o recomendável seja que todas as atividades-fim e atividades-meio estejam a serviço da geração da tecnologia, que é uma atividade-fim, muitas vezes a burocracia faz o inverso.
Por isso, pode ser necessário realizar alterações tanto no processo de produção do protótipo quanto nos procedimentos organizacionais que vão além da linha de produção tecnológica.
Planos de marketing, planos de investimento e planos de expansão da capacidade física são três exemplos de aspectos processuais organizacionais vinculados à geração da tecnologia. É preciso, portanto, estabelecer etapas para elaboração, implementação e monitoramento desses planos, de modo que estejam em sintonia com aquilo que o processo de produção da tecnologia é capaz de sustentar.
É como ocorre em uma linha de produção de um produto ou bem de consumo. A prototipagem precisa ser testada em suas etapas de geração do protótipo, mas também em suas etapas de produção da tecnologia, depois que o protótipo for considerado aprovado. Esses testes podem ser feitos de maneira simultânea ou após o protótipo ser considerado bem-sucedido.
Os testes ambientais, ou interorganizacionais, funcionam como uma espécie de mapa de segurança do esquema de relacionamento da organização geradora de tecnologia com o seu ambiente de operação.
Nessa dimensão estão, por exemplo, os modais de transporte que entregarão as matérias-primas para a confecção do protótipo e para a produção da futura tecnologia, assim como os modais que serão utilizados para entregar a tecnologia aos seus clientes e usuários.
A entrega de um produto começa com um pedido feito pelo cliente e passa por uma série de etapas. Essas etapas vão desde a recepção do pedido, a produção da tecnologia e a entrega efetiva, até a avaliação do desempenho e da satisfação dos clientes.
O mesmo esquema lógico se aplica à atualização das tecnologias disponíveis no ambiente, que podem ser demandadas pela organização para o aperfeiçoamento da tecnologia, bem como às atualizações das leis que disciplinam, direta ou indiretamente, sua produção.
Os testes e retestes de processos focam as etapas da geração da tecnologia, as etapas de integração com outras atividades-fim e atividades-meio da organização e as etapas de atendimento das condições ambientais externas.
Isso mostra que há microprocessos, processos e macroprocessos de produção tecnológica. Esses processos sempre começam com a análise das necessidades do ambiente externo e terminam com a aferição da conformidade da tecnologia entregue em relação ao que seus públicos-alvos efetivamente desejam.
As desconformidades precisam ser reprocessadas para que ganhem conformidade. As conformidades também precisam ser reprocessadas, para que melhorem continuamente.












