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Será que fazer 69 é bom?


Tem certas idades que chegam sem pedir licença. Os 18 chegam com euforia. Os 30 com responsabilidade. Os 40 com questionamentos. Os 50 com experiência. Os 60 com aquela estranha sensação de que a vida resolveu acelerar justamente quando a gente gostaria de desacelerar.

E então aparece ele: o 69.

Número curioso. Talvez um dos poucos números do calendário da vida que carregam, ao mesmo tempo, humor, malícia e filosofia. Basta jogar no Google e lá estão as inevitáveis referências jocosas, sempre acompanhadas daquele sorrisinho de canto de boca que a humanidade insiste em fazer quando ouve “69”.

Mas, curiosamente, entre uma definição e outra, encontrei algo mais profundo: a ideia de reciprocidade e nova fase. Segundo algumas interpretações, os 69 anos representam o momento de colher o que foi plantado, devolver conhecimento, encerrar ciclos e abrir outros.

E faz sentido.

Aos 69, muita coisa já ficou para trás. A correria da carreira começa a perder importância. Os filhos, quase sempre, já construíram seus próprios caminhos. Os sonhos mudam de tamanho. As urgências diminuem. E a gente passa a valorizar coisas que antes pareciam pequenas: o silêncio da manhã, o café sem pressa, a conversa boa, o reencontro antigo, a saúde funcionando ao acordar.

Talvez por isso digam que essa seja uma das idades mais felizes da vida.

Não pela ausência de problemas — porque eles continuam existindo —, mas porque a alma aprende a carregar menos peso. Aos 69, já se entende que nem toda discussão merece resposta, nem toda mágoa merece abrigo e nem toda tempestade precisa ser enfrentada de peito aberto.

Como dizia meu velho pai: “calma e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

E como essa frase envelheceu bem.

Chegar aos 69 é, antes de tudo, privilégio. Num mundo em que tanta gente parte cedo demais, completar esse trecho da caminhada é quase um troféu invisível dado pela própria vida. Um prêmio construído entre tropeços, perdas, alegrias, cicatrizes e aprendizados.

Porque as idas e vindas da existência deixam marcas. Mas deixam também ensinamentos.

Talvez esteja chegando a hora de desacelerar um pouco. De olhar mais para si mesmo. De aproveitar melhor o tempo. De gastar menos energia com o que não vale a pena e investir mais no que realmente traz paz ao coração.

Os 70 já aparecem logo ali na esquina, acenando discretamente. Mas, sinceramente? Depois de tudo que se viveu, eles já não assustam tanto.

Então, diante de todas as interpretações possíveis, da irreverência inevitável e das reflexões que o número provoca, talvez eu já tenha encontrado minha resposta:

Sim… fazer 69 pode ser muito bom.

Principalmente quando se trata da idade.


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Articulista/Colunista

Antônio Maria Alves de Brito


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