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A SERPENTE DO ÉDEN


“Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É isso que Deus disse: Não comereis de toda a arvore do Jardim. Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e cereis como Deus, sabendo o bem e o mal. (Gn.3.1,4-5).

A serpente no Jardim do Éden que enganou Eva, é associada popularmente, ao diabo, a velha serpente, apesar disso, estudiosos modernos concordam que essa foi uma identificação posterior e não o significado original, mas não há consenso sobre qual era a origem da serpente descrita em Genesis (3.1, 4-5).

Para início de nossa discussão, há princípio, a serpente citada no capítulo três de Genesis era de fato, um animal, descrito com dócil e amigo da própria Eva, apesar disso, era a mais astuta dos animais do campo. O termo astuto no hebraico é “Arum”, o qual possui um duplo significado, podendo significar tanto astúcia maliciosa quanto prudência, sagacidade ou inteligência cuidadosa, dependendo do contexto. Assim, fica subentendido que a serpente citada aqui, de fato se tratava de um animal selvagem mais astuto do que os demais, porém, manso, dócil e amigável. Nesta condição, talvez, fosse incapaz de enganar quem quer que fosse.

O próprio relato de Genesis, dá a entender que a serpente em questão, era próxima de Eva em quem ela confiava, como se fosse um animal doméstico, digno de confiança, com quem talvez, Eva compartilhasse os seus segredos, sentimentos e emoções. Dessa forma, jamais duvidaria que a serpente pudesse um dia lhe fazer mal.

A associação desta serpente com Satanás (a velha serpente), desenvolveu-se apenas tempos depois, no entanto, pela descrição de Genesis, é possível entender (apesar de não haver uma menção direta a satanás) que este, teria se apropriado do corpo e das faculdades mentais e sentimentais da serpente (animal) e a corrompido, a incitando contra Eva para a induzir a comer do fruto proibido por Deus.

A tentação foi sistemática e planejada, cada ato foi devidamente pensado nos seus mínimos detalhes. Primeiro, ela questionou o mandamento divino que proibia terminantemente o casal de comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, caso isso ocorresse, eles certamente morreriam. Apesar de haver um mandamento proibitivo divino, o diabo, agora em pele de serpente, afirmou que caso eles comessem o fruto “certamente não morreriam” como Deus tinha afirmado.

A tentação de Eva pela serpente, conforme narrado em Genesis três, seguiu uma estratégia astuta, dividida em passos lógicos e sedutores, com o objetivo de gerar dúvida, desobediência e separação de Deus e, por fim, levar o casal à morte física e espiritual, o que se estenderia também às futuras gerações, e com isso, abrir as portas para todo tipo de maldade e perversidade praticados pelos homens. Se não, vejamos:

1 – A abordagem com questionamento sutil. (Dúvida). A serpente inicia a tentação com uma pergunta, a fim de gerar dúvidas sobre a ordenança de Deus: “É verdade que Deus disse: Não comerás do fruto da arvore do bem e do mal”. Sua intenção foi distorcer o mandamento divino, que era restrito apenas à uma arvore, a do conhecimento do bem e do mal, fazendo entender que Deus era restritivo.

2 – Contradição Direta da Palavra de Deus. (Mentira). Após Eva responder, e em parte, distorcer a ordem divina (ao afirmar que não podiam nem mesmo tocar na arvore proibida), a serpente nega diretamente a consequência da desobediência, dizendo: “Certamente não morrerás”.

3 – Provocar desconfiança. (Acusação). A serpente acusa o próprio Deus de egoísmo e de esconder informações, sugerindo que Ele não queria que eles se tornassem conhecedores do bem e do mal, assim como o próprio Deus, o era.

4 – Promessa de Igualdade com Deus. (Sedução). A serpente oferece uma falsa promessa, afirmando: “No dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal”.

5 – Apelo aos sentidos. (Ação). Eva, ao considerar a proposta da serpente, vê a árvore com outros olhos; boa para comer, agradável aos olhos e desejável para o entendimento.

6 – A queda. (Consumação). A tentação é concretizada quando Eva come o fruto e, em seguida, ofereceu também ao marido Adão que também comeu.

A consumação do erro do primeiro casal ao comer do fruto proibido, de fato, abriu os seus olhos (perda da inocência), e com isso, eles perceberam que estavam nus; envergonhados, costuraram folhas de figueira e fizeram cintas para si.

O chamado pecado original, cometido pelo primeiro casal no jardim do Éden, após serem induzidos por satanás, personalizado na serpente, atraiu a morte física e espiritual a eles e aos seus descendentes que vieram depois em todos os tempos da humanidade; bem como abriu as portas para todo tipo de maldade e perversidade no mundo, até os dias atuais sofremos as consequências deste pecado dos nossos primeiros pais no Jardim do Éden!.


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Articulista/Colunista

Pr. José Queiroz Júnior

Professor, Pastor, escritor, palestrante, especialista em educação e Gestão Escolar


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