O Despertar no Bioparque: Onde a Floresta Encontra o "Eu Sou "
Imagine um santuário onde o coração da maior floresta do mundo pulsa em sintonia com o seu. No Bioparque da Amazônia, em Macapá, a natureza não é apenas um cenário, mas uma amante generosa que abre sua janela de 107 hectares de puro verde para nos abraçar. É um lugar onde os ecossistemas se fundem em um abraço eterno: a força da floresta de terra firme, a resiliência do cerrado e o mistério dos campos inundados desenham um quadro vivo de rara beleza. Caminhar por ali, é permitir que o tempo pare e o espírito se renove entre as sombras das árvores e o frescor das águas.
Chega a hora de se deixar seduzir pelos detalhes: No meliponário, as abelhas sem ferrão bailam em silêncio, tecendo a vida através da polinização, como se guardassem os segredos da fertilidade da terra; No orquidário, as flores nativas exibem suas cores e formas delicadas, joias botânicas que brotam da alma da região amazônica; Nas trilhas naturais, cada passo é um encontro com o sagrado, um diálogo íntimo com a fauna e a flora que observam curiosas o passar do visitante; Para os corações mais audazes, o Bioparque oferece o frio na barriga do arborismo, o deslizar suave da canoagem e o voo livre da tirolesa, transformando a aventura em uma declaração de amor à liberdade.
Mais do que um espaço de lazer, este refúgio é um altar de conhecimento, onde pesquisas e projetos ambientais zelam pela proteção de cada vida que ali habita. O Bioparque é o convite para que cada um de nós se torne o guardião desse romance eterno entre o homem e a biodiversidade. E como diria Neville, o lugar perfeito para fechar os olhos e ocupar o estado de quem faz parte de algo grandioso e eterno. E aqui encontram-se Arturo, Ycrad, Anicaroh, Airam, Seni, Nnaor e Leirbag, caminhando por entre as orquídeas nativas, sentindo o perfume da floresta de terra firme, enquanto discutem que aquela imensidão verde é, na verdade, uma projeção da riqueza que eles carregam no "Eu Sou" interior.
Arturo: (Observando o reflexo das árvores na água) "Olhem para este reflexo. A maioria das pessoas passa a vida tentando limpar a água para que o reflexo mude. Neville Goddard diria que isso é inútil. Para mudar o reflexo, você tem que mudar o que está na margem."
Ycrad: (Com seu tom analítico) "Você fala da biografia dele, Arturo. O bailarino de Barbados que descobriu que a coreografia da vida não acontece nos pés, mas na mente. De Nova Iorque para o mundo, ele nos ensinou que o universo é um espelho da consciência."
Anicaroh: "É fascinante imaginar o encontro dele com Abdullah em 1929. Imaginem o choque: Neville chega e o rabino etíope diz que ele está seis meses atrasado! Abdullah não ensinou história bíblica; ele ensinou que a Bíblia é o drama da nossa própria psique."
Airam: "Exato, Anicaroh. Ele despiu o dogma para revelar que 'Deus se fez homem para que o homem se torne Deus'. E o nome desse poder em nós é a nossa Imaginação Humana. O 'Eu Sou' não é alguém lá fora; é a nossa própria consciência de ser."
Seni: "Mas como aplicar isso no dia a dia, especialmente para quem sofre? Neville falava sobre 'Viver no Fim'. Não é pedir para ser curado ou livre, é ocupar o estado de quem já é saudável e livre agora."
Nnaor: "Essa é a chave técnica, Seni. A diferença entre pensar 'sobre' e pensar 'a partir de'. Se eu penso sobre a paz, eu ainda estou no conflito olhando para ela. Se eu penso a partir da paz, eu fecho os olhos aqui no Bioparque e sinto a quietude como um fato presente. A realidade física não tem escolha, ela precisa refletir isso."
Leirbag: "E o que dizer da 'Revisão'? É como uma máquina do tempo mental. Se o dia foi difícil ou se o passado de alguém é marcado pela dor, Neville sugere que, ao deitar, a pessoa reescreva a cena. Não para negar o fato, mas para dissolver a âncora emocional que aquele fato gerou. Isso libera o futuro."
Arturo: "Sim, Leirbag. É a 'Ponte de Incidentes'. Quando você ocupa o estado final com aquela satisfação profunda e tranquila — que ele dizia parecer quase um tédio de tão natural — você não precisa controlar o 'como'. As coincidências começam a se alinhar sozinhas."
Ycrad: "O maior erro é tentar manifestar coisas novas mantendo a identidade velha. Não adianta querer ser livre se a identidade central ainda é de um prisioneiro. É preciso deixar o 'eu' antigo morrer para que o 'Eu Sou' desejado nasça."
Anicaroh: "Neville não era apenas um autor, ele era um convite. Ele nos desafiou a fazer “O Experimento de 7 Dias”. Escolher algo pequeno, criar uma cena sensorial curta que implique o desejo realizado e adormecer nela."
Esse experimento é mais ou menos assim, um teste científico para sua própria vida: 1- Escolha algo pequeno e específico (que não possa ser confundido com coincidência); 2- Crie uma cena curta (10-30s) que implique que o desejo já aconteceu; 3- Adormeça dentro da cena, sentindo a naturalidade dela; 4- Solte o controle durante o dia, sem checar a realidade física a todo momento.
Airam: (Sorrindo) "Como ele dizia: 'Não há ficção maior do que a verdade ainda não realizada'. Aqui, entre as árvores de Macapá, é fácil sentir que somos os arquitetos de tudo isso."
Seni: "Então, que paremos de pedir e comecemos a ser. Afinal, o Reino de Deus está dentro, operando em cada suposição que aceitamos como verdade."
Arturo: (Colocando a mão no ombro de quem duvida) "Não se cobre uma naturalidade imediata. Se você passou vinte anos dizendo 'eu sou ansioso', o seu corpo aprendeu a química da ansiedade. Quando você tenta ocupar o estado de 'eu sou calmo', a mente estranha, como um sapato novo que aperta. Mas é como a caminhada que fazemos aqui nas trilhas do Bioparque: no início você tropeça nas raízes, mas depois de dez vezes, seus pés já sabem onde pisar sem você precisar olhar."
Ycrad: "É a neuroplasticidade que a Terapia Cognitiva Comportamental – TCC, explica, não é? A repetição da cena mental cria o novo caminho. Neville chamava isso de 'estatística da suposição' — você assume tanto que o cérebro deixa de distinguir o que é imaginação do que é memória."
Anicaroh: "Então o segredo do Arturo seria a persistência. Não é força de vontade, é insistência na fidelidade à nova imagem."
À medida que o sol começa a se pôr sobre as copas das sumaúmas, filtrando raios dourados que dançam sobre o espelho d'água, o silêncio no deck se torna uma prece silenciosa. Arturo, Ycrad e seus amigos compreendem que o Bioparque não é apenas um destino geográfico em Macapá, mas um estado de espírito. Eles saem dali não como visitantes de uma floresta externa, mas como arquitetos de seus próprios mundos, levando consigo a certeza de que a realidade física é apenas a sombra da luz que brilha em suas imaginações. O caminho para fora do parque é, na verdade, o início de uma jornada para dentro — onde cada suposição é uma semente e cada sentimento de "já realizado" é o solo fértil onde a vida, em toda a sua biodiversidade de possibilidades, finalmente floresce.
| Foto: Arquivo/PMM












