Do papel e caneta ao topo do mundo: o orgulho esquecido das invenções brasileiras
Muitas vezes, ao olharmos para as grandes tecnologias que movem o mundo moderno, somos tomados por uma falsa modéstia colonial. Aprendemos a aplaudir os feitos americanos, europeus e asiáticos, enquanto alimentamos, silenciosamente, o velho "complexo de vira-lata" de que o Brasil só serve para o futebol. Mas a história real, aquela escrita na ponta do lápis, com papel amassado e muita genialidade, conta uma versão bem diferente.
Você sabia que o câmbio automático que equipa os carros modernos nasceu em 1932 pelas mãos de dois mecânicos brasileiros? Sabia que o identificador de chamadas (o famoso BINA: B Identifica A) foi criado por um engenheiro eletrotécnico de Belo Horizonte? E que na década de 1970, quando o bilionário Elon Musk tinha apenas 3 anos de idade, o engenheiro João Gurgel já colocava para rodar em São Paulo o primeiro carro elétrico funcional do planeta?
A lista é vasta e toca o cotidiano de qualquer amapaense: do chuveiro elétrico que usamos em casa ao conceito do walkman (o pai do fone de ouvido portátil), passando pelos blindados de guerra da Engesa que venceram testes internacionais contra potências mundiais, e pelos avanços científicos de Oswaldo Cruz. Nossos inventores criaram o mundo moderno sem supercomputadores ou internet. Criaram com pura massa cinzenta.
O que nos falta, então? Falta-nos o orgulho de pertencer a uma nação de criadores. É doloroso perceber que muitos desses gênios morreram à míngua ou viram suas empresas fechadas por falta de apoio governamental, boicotes ou pela pura inveja cultural que tenta puxar para baixo quem ousa se destacar.
Precisamos urgentemente levar essas histórias para as salas de aula das nossas escolas públicas no Amapá. Nossos garotos e garotas precisam saber que o sangue que corre nas veias deles é o mesmo sangue criativo que revolucionou a aviação com Santos Dumont. O rádio, a conversa de calçada e as páginas deste jornal são as ferramentas que temos para estufar o peito e dizer: nós somos capazes. A inovação não é um privilégio estrangeiro; ela também é nossa.













Contribua. Comente!
O que achou deste artigo?