SINDROME DE JUDAS ISCARIOTES
Judas Iscariotes é um personagem bíblico do Novo Testamento, muito emblemático. Há princípio, ele era um judeu cheio de fé e expectativas de dias melhores para o seu povo, então sob o domínio do poderoso império romano e seus césares. Religioso, praticante da fé judaica, assim como muitos outros jovens da sua geração, aspirava pela sua independência, por isso, chegou a lutar pela libertação de Israel pelo partido revolucionário dos zelotes, sendo um dos seus membros dedicado e convicto de suas pretensões patrióticas.
Pouco se sabe sobre a sua biografia, a não ser o que foi revelado nos evangelhos canônicos. No entanto, o que foi dito a seu respeito, é o suficiente para entendermos a sua dubiedade de caráter, o que fazia de sua mente e ações, um solo fértil para ação direta de satanás e seus agentes do mal.
Tanto é que sempre que há uma referência ao seu nome nos evangelhos, vem acompanhado de uma descrição negativa, que o distingue dos demais apóstolos. Tais como: Judas, o que traiu Jesus; Judas Iscariotes, filho de Simão; Judas, o traidor; Judas, o ladrão das ofertas.
Estas atitudes suspeitas de Judas, revelam o seu caráter frágil e carnal, o que indica que mesmo ele tendo convivido com Jesus por aproximadamente três anos, não permitiu que a mensagem do evangelho e a própria presença e exemplo do seu mestre mudassem a sua vida e natureza pecadora. Ele não passou pelo processo do novo nascimento e consequentemente, da transformação espiritual da sua mente e coração. Por isso, o inimigo o transformou no traidor de Jesus Cristo, o seu mestre e Senhor.
As escrituras, revelam sua identidade, como sendo filho de Simão. (Jo.6.71; 13.2,26). Seu sobrenome era “Iscariotes” uma referência ao local onde ele nasceu. O termo iscariotes, no hebraico significa “homem de Quiriote”. Possivelmente, uma pequena comunidade no território de Judá, ao sul de Hebrom (Js.15.25). Ou mesmo no território de Moabe, considerando que estes são os dois lugares com este nome mencionado nas escrituras. Apesar disso, é quase improvável, que fosse o segundo exemplo, já que Judas era judeu de nascimento, restando o primeiro exemplo, ou seja. Quiriote-Hezrom.
No Hebraico, seu nome é Yehudhah ish Quryoth e em grego bíblico, Iouda Iskariôth ou Iouda Ikariotes. Muitos estudiosos e intérpretes das escrituras, acreditam que Judas foi membro da seita política, religiosa e revolucionaria judaica, os zelotes. Ele acreditava em um idealismo libertário de Israel da dominação de Roma, assim, como muitos compatriotas da sua época.
Antes e depois do primeiro século da era cristã, havia um idealismo político em Israel que acreditava na vinda de um Messias político libertador, que com seu poder messiânico, libertaria a nação judaica da opressão inimiga. Os zelotes surgiram nessa época. No entanto, com o tempo, eles foram perdendo essa esperança, depois de muito lutar. Muitos dos seus membros, e líderes foram presos e mortos pelos romanos; com isso, aos poucos o movimento de resistência dos zelotes, foi sendo sufocada.
Há motivos para acreditar que Judas Iscariotes, tenha se aproximado de Jesus, por acreditar que ele seria o Messias revolucionário, e lutaria politicamente pela libertação de Israel. No entanto, sentiu-se desiludido quando percebeu que essa não era a missão de Cristo, mas libertar o povo do domínio do pecado, da morte de satanás. Revoltado, por ver os seus anseios não correspondidos, procurou os líderes judaicos e negociou a prisão de seu próprio mestre por trinta moedas de prata. (Mt.26.14-16).
Sua traição, facilitou a identificação e prisão de Jesus no Getsemani em Jerusalém na noite da celebração da pascoa e da santa ceia, e o culminou com a seu julgamento, condenação e morte na cruz, em cumprimento ao plano de Deus para a salvação da humanidade.
Após cometer este ato tão vil, Judas teria caído em um estado de profundo remorso, sem possibilidade de reconciliação com o seu Mestre, que já tinha sido crucificado, Judas entrou em desespero, e perturbado, teria se enforcado, precipitando-se de um penhasco, onde abriu-se suas entranhas, deixando à amostra as suas vísceras. (Mt.27.5; At.1.18).
A ganância de Judas, e o seu caráter débil, o levaram à ruína espiritual e ministerial. Ele foi chamado e escolhido por Cristo para ser um dos seus doze apóstolos, teve as mesmas oportunidades do que os demais, inclusive, de crer em Jesus e ser transformado pela sua palavra e com isso, se transformar em um dos grandes nomes da igreja cristã do primeiro século; quem sabe até se tornar o seu líder, como foi Pedro, Tiago, João e outros apóstolos depois da morte de Jesus. Em vez disso, ele escolheu o caminho da corrupção e falsidade, deixando se corromper pela ganância e ressentimentos com o seu próprio Mestre. Ele não foi capaz de controlar os seus impulsos físicos e emocionais, deixando-se levar pelas obras da carne, impulsionado pelo próprio satanás.
É certo que a síndrome de Judas, continua presente em nossos dias. A ganância e a sede de poder, tem segado a consciência de muitos homens e mulheres chamados por Deus para o exercício do ministério cristão. Muitos deles, negam a Jesus, negam as verdades contidas no Evangelho e preferem trilhar o caminho da perdição. Por isso, perdem a visão espiritual; perdem o primeiro amor, a visão de reino e por fim, a própria credibilidade, o ministério e a própria vida.
Com líderes cristãos, chamados por Deus para uma obra excelente, devemos zelar pelos talentos, que o Senhor da ceara nos entregou, sermos bons mordomos, e exercer com amor, zelo e dedicação os talentos recebidos, pois, na vinda do Senhor, haveremos de prestar contas com Ele de tudo o que recebemos.













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