Amapá apresenta concessões florestais como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas durante a São Paulo Climate Week
Modelo apresentado no evento destaca expansão das áreas sob concessão, nova modelagem em parceria com o BNDES e o potencial das florestas públicas para gerar soluções climáticas e desenvolvimento sustentável.
O Amapá participou, de 3 a 7, da 3ª edição da São Paulo Climate Week (SPCW 2026), um dos espaços de discussão sobre a agenda climática brasileira. Durante o evento, foram apresentados os avanços da política de concessões florestais no estado e o papel desse instrumento na conservação das florestas públicas, redução de emissões e construção de alternativas econômicas de baixo carbono. Com o tema, "Da agenda global à ação nos territórios", evento encerrou nesta sexta-feira, 7, de agosto.
Representado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Estado do Amapá participou do painel "Concessão Florestal no Brasil: Escala, Impacto e Soluções Climáticas", que reuniu representantes de governos, instituições financeiras, órgãos gestores e organizações especializadas para discutir como o manejo sustentável das florestas públicas pode contribuir para proteger grandes territórios florestais e promover desenvolvimento econômico associado à conservação ambiental.
Avanços nas concessões florestais
Durante o debate, foram apresentados os avanços da política de concessões florestais no Amapá e o processo de reestruturação jurídica, técnica e econômica do modelo. Em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está em elaboração uma nova modelagem para concessão de áreas públicas, com previsão de lançamento de edital no segundo semestre de 2026.
Com a nova licitação, o Amapá poderá alcançar 750.643,20 hectares de florestas públicas sob concessão, ampliando a participação do estado no manejo sustentável e contribuindo para fortalecer a escala das concessões florestais na Amazônia.
A proposta apresentada combina a produção sustentável de madeira com uma agenda mais ampla de conservação da biodiversidade, redução de emissões, prevenção da degradação florestal, adaptação climática, geração de empregos e fortalecimento da economia da floresta.
Para o diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, Marcos Almeida, as concessões podem assumir uma função estratégica diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
"A concessão florestal pode deixar de ser vista apenas como um instrumento de produção de madeira e passar a funcionar como uma plataforma territorial de mitigação, adaptação climática, conservação e desenvolvimento econômico", destacou.
Floresta manejada como solução climática
A proposta considera que a manutenção de grandes áreas de floresta pública sob manejo sustentável, com planejamento, rastreabilidade, monitoramento e presença permanente no território, pode contribuir para reduzir processos de degradação e fortalecer a proteção dos recursos naturais.
Nesse contexto, as concessões podem incorporar ações de manejo florestal de impacto reduzido, proteção dos estoques de carbono, prevenção e combate aos incêndios florestais, monitoramento do desmatamento e da exploração ilegal, recuperação de áreas degradadas e proteção da biodiversidade.
Outra possibilidade é integrar às concessões novos ativos ambientais e econômicos, como serviços ambientais, projetos de restauração e mecanismos relacionados ao carbono, desde que estruturados com critérios técnicos, segurança jurídica, monitoramento e integridade ambiental.
A perspectiva é avançar para um modelo em que o desempenho da concessão seja avaliado não apenas pelo volume de madeira produzido, mas também pela capacidade de manter a floresta conservada, reduzir impactos da exploração, proteger estoques de carbono, preservar a biodiversidade e ampliar a resiliência dos territórios diante das mudanças climáticas.
Nova economia da floresta
A ampliação do modelo de concessões florestais também abre possibilidades para fortalecer uma economia de baixo carbono, associando produção sustentável, conservação ambiental e geração de oportunidades econômicas.
Além da madeira manejada, produtos florestais não madeireiros, aproveitamento tecnológico da madeira, beneficiamento local, geração de energia a partir de resíduos, restauração florestal e serviços ambientais podem contribuir para diversificar fontes de renda e agregar valor à floresta conservada.
A incorporação da agenda climática pode abrir espaço para que futuros contratos considerem indicadores relacionados à redução de impactos ambientais, eficiência no uso da madeira, proteção das árvores remanescentes, prevenção de incêndios, recuperação de áreas degradadas, monitoramento territorial, benefícios às comunidades e inovação tecnológica.
A participação do Amapá na São Paulo Climate Week reforçou o debate sobre a importância da articulação entre governos estaduais, Governo Federal, instituições financeiras, setor privado e organizações da sociedade civil para ampliar o papel das concessões florestais na agenda climática brasileira.
O painel contou com a participação de Renato Rosenberg, diretor de Concessões do Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Ana Simonetti, diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio; Camila Lima, gerente de Estruturação de Projetos no Departamento de Soluções de Infraestrutura Ambiental do BNDES; e Marcos Almeida, diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema Amapá. A moderação foi conduzida por Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora.
Com o novo edital previsto para 2026, a expectativa é ampliar o debate sobre o papel das florestas públicas amazônicas na construção de uma economia de baixo carbono, associando manejo sustentável, conservação da biodiversidade e desenvolvimento econômico.
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