Nova corrida espacial: disputa agora é entre China e EUA
A missão chamou atenção pelo tempo de deslocamento que levou apenas três horas para chegar à estação espacial chinesa Tiangong, período menor do que o registrado nas missões americanas. O feito demonstra o avanço tecnológico chinês e a estratégia adotada para ampliar sua presença no setor espacial.
Um dos tripulantes deve permanecer um ano no espaço para estudar os efeitos da microgravidade no corpo humano. O objetivo é preparar futuras missões tripuladas à Lua, especialmente diante dos desafios físicos enfrentados pelos astronautas.
Os principais problemas observados envolvem perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição à radiação, desgastes psicológicos e distúrbios do sono. O astronauta brasileiro Marcos Pontes relatou sequelas após sua missão espacial em 2006, incluindo estenose nos canais auditivos, vitiligo, alterações hormonais, perda de densidade óssea, sangramentos nos ouvidos, alergias e mudanças de peso.
A Lua voltou ao centro do interesse mundial porque existe a intenção de estabelecer uma presença humana permanente. Isso envolve pesquisas sobre extração de água do solo lunar, proteção contra radiação, adaptação à baixa gravidade, ausência de atmosfera e variações extremas de temperatura.
Além disso, o satélite deve funcionar como um laboratório para experiências envolvendo geração de energia, construção de habitats, utilização de recursos locais e possibilidades de cultivo. Os estudos podem fornecer informações importantes para futuras missões.
Vale ressaltar que os Estados Unidos também seguem com seus projetos. A missão Artemis II, realizada neste ano, passou pelo lado oculto da Lua. Os quatro astronautas a bordo se tornaram as pessoas a viajarem mais longe da Terra na história. Já a futura missão Artemis III deverá testar capacidades de encontro e acoplamento entre a nave Orion e os sistemas comerciais de pouso humano.
Ainda neste ano, os chineses pretendem lançar a sonda Chang’e 7 em direção ao polo sul da Lua para estudar possíveis áreas de instalação de uma futura base lunar. O projeto coloca o país em disputa direta com os americanos, que também pretendem levar astronautas de volta à superfície lunar com o programa Artemis.
Quando os Estados Unidos chegaram à Lua pela primeira vez, em 1969, a China ainda não possuía um programa espacial estruturado. Hoje o país disputa espaço em igualdade na nova corrida espacial.
(*) Prof. Dr. João Batista Garcia Canalle é astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).
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