Os últimos vestígios do Forte Cumaú. . No final dos anos 60 e durante toda a década de 70, a Indústria de Comércio e Minério SA, mantia uma área de lazer chamado CAÇA E PESCA, na mesma área onde existiu um pequeno e antigo forte chamado CUMAÚ. A localização do forte era exatamente entre a Vila Amazonas e o Igarapé da Fortaleza, às margens do rio Amazonas, era realmente um lugar bonito com uma visão privilegiada. Eu cheguei a ver a formação dessa construção que foi erguida pelos portugueses bem antes do surgimento da grande Fortaleza São José de Macapá. Garanto que um senhor chamado Lino, era quem tomava conta desse lugar. O meu pai Waldir Ribeiro que na época era funcionário da ICOMI, guardava alguns pertences como lanchas, motores, redes de pesca, carotes de óleo e de gasolina. Alguns diretores da companhia também utilizavam desse lugar para guardar objetos pessoais. Um fato que ficou marcado na minha mente, foi que uma vez o Sr. Lino nos alertou para não entrar nas ruínas do forte, pois era comum a presença de uma bola de fogo que vagava por alguns segundos no interior do forte, esse fenômeno acontecia geralmente a noite. Lembro também das churrascadas e um banho em uma pequena praia de pedrinhas vermelhas. Existiam duas árvores de uma fruta não muito comum chamada Cutite, era muito doce e enjoativa. Tinha jenipapo, manga e taperebá. Existia também uma espécie bem pequena de tamanduá chamado de Tamanduaí, era comum encontra-los no percurso da Vila Amazonas até o local do forte. Nesse período, os filhos dos funcionários da ICOMI costumavam transitar nessas matas para pescar nos pequenos igarapés. Esses "pré-aventureiros" conseguiam chegar até às margens do Igarapé da Fortaleza onde existiam algumas serrarias e lá era melhor para pescar peixes maiores. A partir das década de 80, o empresário Roberto Rodrigues provavelmente comprou essa área e explorou o local como um porto de embarque e desembarque de mercadorias por mais de 20 anos. Este cidadão construiu dois galpões exatamente em cima das ruínas do forte, "enterrando" de vez uma história interessante para a cultura amapaense. Soube que o IEPA fez algumas escavações suspeitando da existência de um sítio arqueológico, mas acredito que não tenha encontrado alguma coisa interessante. Recentemente o IPHAN se interessou em fazer um estudo do local. Imagino que se o governo do Estado do Amapá, quiser resgatar mesmo essa história, será necessário indenizar os atuais proprietários, demolir os galpões e construir um outro forte baseado no modelo original, mas acho essa hipótese bastante remota. Sei que os novos donos já investiram alguns milhões para fazer do local, o novo Porto da frota dos navios ANA BEATRIZ e um restaurante para explorar também na área do turismo. A empresa iniciou a construção dos flutuantes, escritórios, sala vip, depósitos, mas a Prefeitura de Santana interditou a obra por falta de licença. Acredito que esse empreendimento do porto, deverá gerar empregos e desenvolvimento na região. Nunca li qualquer comentário sobre este assunto e agora resolvi tirar um tempinho para lembrar através desse texto, um período da minha infância e também contribuir com essa questão polêmica do local. Por Wagner Ribeiro.
Os últimos vestígios do Forte Cumaú
No final dos anos 60 e durante toda a década de 70, a Indústria de Comércio e Minério SA, mantia uma área de lazer chamado CAÇA E PESCA, na mesma área onde existiu um pequeno e antigo forte chamado CUMAÚ. A localização do forte era exatamente entre a Vila Amazonas e o Igarapé da Fortaleza, às margens do rio Amazonas, era realmente um lugar bonito com uma visão privilegiada.
Eu cheguei a ver a formação dessa construção que foi erguida pelos portugueses bem antes do surgimento da grande Fortaleza São José de Macapá. Garanto que um senhor chamado Lino, era quem tomava conta desse lugar. O meu pai Waldir Ribeiro que na época era funcionário da ICOMI, guardava alguns pertences como lanchas, motores, redes de pesca, carotes de óleo e de gasolina. Alguns diretores da companhia também utilizavam desse lugar para guardar objetos pessoais. Um fato que ficou marcado na minha mente, foi que uma vez o Sr. Lino nos alertou para não entrar nas ruínas do forte, pois era comum a presença de uma bola de fogo que vagava por alguns segundos no interior do forte, esse fenômeno acontecia geralmente a noite. Lembro também das churrascadas e um banho em uma pequena praia de pedrinhas vermelhas. Existiam duas árvores de uma fruta não muito comum chamada Cutite, era muito doce e enjoativa. Tinha jenipapo, manga e taperebá. Existia também uma espécie bem pequena de tamanduá chamado de Tamanduaí, era comum encontra-los no percurso da Vila Amazonas até o local do forte. Nesse período, os filhos dos funcionários da ICOMI costumavam transitar nessas matas para pescar nos pequenos igarapés. Esses "pré-aventureiros" conseguiam chegar até às margens do Igarapé da Fortaleza onde existiam algumas serrarias e lá era melhor para pescar peixes maiores.
A partir das década de 80, o empresário Roberto Rodrigues provavelmente comprou essa área e explorou o local como um porto de embarque e desembarque de mercadorias por mais de 20 anos. Este cidadão construiu dois galpões exatamente em cima das ruínas do forte, "enterrando" de vez uma história interessante para a cultura amapaense. Soube que o IEPA fez algumas escavações suspeitando da existência de um sítio arqueológico, mas acredito que não tenha encontrado alguma coisa interessante.
Recentemente o IPHAN se interessou em fazer um estudo do local. Imagino que se o governo do Estado do Amapá, quiser resgatar mesmo essa história, será necessário indenizar os atuais proprietários, demolir os galpões e construir um outro forte baseado no modelo original, mas acho essa hipótese bastante remota.
Sei que os novos donos já investiram alguns milhões para fazer do local, o novo Porto da frota dos navios ANA BEATRIZ e um restaurante para explorar também na área do turismo. A empresa iniciou a construção dos flutuantes, escritórios, sala vip, depósitos, mas a Prefeitura de Santana interditou a obra por falta de licença. Acredito que esse empreendimento do porto, deverá gerar empregos e desenvolvimento na região.
Nunca li qualquer comentário sobre este assunto e agora resolvi tirar um tempinho para lembrar através desse texto, um período da minha infância e também contribuir com essa questão polêmica do local.
Por Wagner Ribeiro.
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