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Exploração madeireira ilegal em Rondônia cai para 21%, mas quase metade ainda acontece em áreas protegidas
Por: Redação -


Exploração madeireira ilegal em Rondônia cai para 21%, mas quase metade ainda acontece em áreas protegidas

Monitoramento por satélite da Rede Simex mapeou 26,2 mil hectares; Terras Indígenas e Unidades de Conservação concentram parte relevante da exploração não autorizada.

A Rede Simex registrou 26.262 hectares de exploração madeireira em Rondônia no ciclo mais recente monitorado por imagens de satélite - um aumento de 16% em relação ao período anterior. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra melhora na regularidade: 79% da área observada estava autorizada (20.816 ha), enquanto 21% foi classificada como não autorizada (5.446 ha).

Mesmo com a redução proporcional, a exploração ilegal segue como alerta por ocorrer também em territórios sensíveis. Do total não autorizado, 26% ocorreu em Unidades de Conservação (1.415 ha) e 23% em Terras Indígenas (1.257 ha); o restante se distribuiu entre imóveis rurais cadastrados (37% / 2.023 ha), terras não destinadas (7% / 393 ha) e assentamentos rurais (7% / 358 ha).

Os dados são da Rede Simex, iniciativa formada por Imazon, Imaflora e ICV, que expandiu o monitoramento da exploração madeireira na Amazônia a partir de imagens de satélite. Criado em 2008, o Simex avalia a exploração madeireira e sua conformidade com autorizações de Manejo Florestal Sustentável, contribuindo para diferenciar o que é atividade manejada e licenciada do que é exploração predatória e sem controle.

“O Simex ajuda a separar o que é manejo planejado e licenciado do que é exploração predatória. Quando a análise mostra onde a ilegalidade se concentra - tanto em categorias de território quanto em municípios específicos - ela oferece um mapa para ação: fiscalização dirigida, revisão de controles locais e medidas de prevenção antes que a degradação se converta em desmatamento”, destaca Júlia Niero, analista técnica do Imaflora.

Áreas protegidas com exploração ilegal

Entre as áreas protegidas com registro de exploração não autorizada, a Terra Indígena Kaxarari aparece como o principal foco (1.257 ha; 47%), seguida pela Floresta Nacional de Jacundá (895 ha; 33%), Estação Ecológica Samuel (364 ha; 14%) e Resex Jaci-Paraná (156 ha; 6%).

Ilegalidade se concentra em poucos municípios

O levantamento aponta redução das áreas não autorizadas em relação ao ciclo anterior - queda equivalente a 35%, passando de 37% para 21%. Ainda assim, toda a exploração ilegal registrada ocorreu em sete municípios, com 85% concentrada em apenas três: Porto Velho (3.067 ha; 56%), Candeias do Jamari (912 ha; 17%) e Pimenteiras do Oeste (669 ha; 12%).

“Rondônia traz um retrato ambivalente: a área total explorada aumentou, e a parcela autorizada é majoritária, mas a presença de exploração não autorizada em Terras Indígenas e Unidades de Conservação é um sinal de risco que precisa de resposta rápida, com comando e controle e transparência para proteger territórios e fortalecer a legalidade”, afirma Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora.

Principais achados do Simex em Rondônia (ciclo mais recente)

  • Área total mapeada:262 ha.
  • Autorizada:816 ha (79%).
  • Não autorizada:446 ha (21%).
  • Perfil da ilegalidade: 37% em imóveis cadastrados; 26% em UCs; 23% em TIs; 7% em terras não destinadas; 7% em assentamentos.
  • Tendência: ilegalidade caiu de 37% para 21% (redução de 35%); área total explorada cresceu 16%.
  • Concentração municipal da ilegalidade: 7 municípios; Porto Velho lidera.

Sobre o Simex e a Rede Simex
O Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) é uma ferramenta de monitoramento por satélite criada em 2008, que avalia a exploração madeireira e sua conformidade com autorizações de Manejo Florestal Sustentável. Em 2020, foi criada a Rede Simex, integrada por Imazon, Imaflora e ICV, para expandir o monitoramento na Amazônia.

Sobre o Imaflora
Desde 1995, atua na promoção do uso sustentável e inclusivo dos recursos naturais. Suas ações conciliam conservação ambiental, desenvolvimento econômico e enfrentamento da crise climática. Com um vasto repertório de conhecimentos sobre produção florestal e agropecuária, sociobiodiversidade, uso da terra e mudanças climáticas, conquistou credibilidade técnica para dialogar com diferentes setores da sociedade, articulando convergências multissetoriais e fomentando cadeias florestal e agropecuária responsáveis, de baixas emissões e comprometidas com a sociobiodiversidade. Tudo em busca de soluções que gerem real impacto positivo na vida das pessoas que movem a economia conservando o meio ambiente. (www.imaflora.org)



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