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Maio Verde: Glaucoma avança sem sinais e pode comprometer a visão de forma irreversível
Por: Gabriel Santos da Silva -


Maio Verde: Glaucoma avança sem sinais e pode comprometer a visão de forma irreversível

Cerca de 2,5 milhões de brasileiros acima dos 40 anos convivem com a doença, e 70% desconhecem o diagnóstico; Maio Verde alerta para a importância dos exames regulares

Glaucoma avança sem sinais e pode comprometer a visão de forma irreversível Cerca de 2,5 milhões de brasileiros acima dos 40 anos convivem com a doença, e 70% desconhecem o diagnóstico; Maio Verde alerta para a importância dos exames regulares

Foto: Imagem de freepik A perda da visão pode avançar sem dar sinais claros e, quando percebida, já estar em estágio avançado. Esse é o principal desafio do glaucoma, uma doença ocular que afeta o nervo óptico e compromete progressivamente o campo visual. A estimativa da Sociedade Brasileira de Glaucoma aponta que cerca de 2,5 milhões de brasileiros acima dos 40 anos convivem com a doença, sendo que 70% desconhecem o diagnóstico. Diante desse cenário, a campanha Maio Verde reforça a importância da conscientização e do acompanhamento oftalmológico regular.

“O glaucoma é uma doença do nervo óptico em que ocorre perda progressiva das células, reduzindo o campo de visão de fora para dentro, podendo levar à perda total da visão”, explica o Dr. Renato Klingelfus Pinheiro, oftalmologista do H.Olhos. Ele destaca que a incidência aumenta com o envelhecimento, o que amplia o número de casos ao longo dos anos. “É uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, e muitas vezes o diagnóstico acontece tardiamente, quando já há pouco a ser feito para recuperar a visão perdida”, afirma.

Entre os diferentes tipos, o glaucoma primário de ângulo aberto é o mais frequente e tem forte influência genética. Há também quadros secundários, que podem surgir a partir de outras condições ou pelo uso de determinados medicamentos. “Os corticoides merecem atenção, pois podem desencadear aumento da pressão ocular em pessoas predispostas, independentemente da forma de uso”, alerta o especialista.

Um dos maiores riscos está no comportamento silencioso da doença. “Na maioria dos casos, não há sintomas no início. O paciente não sente dor nem percebe alterações, e só identifica algo quando a lesão já está avançada”, explica o médico. Situações agudas são raras, mas podem provocar dor intensa, visão embaçada e a percepção de um efeito semelhante a um arco-íris ao redor das luzes, como se houvesse um círculo colorido em volta de lâmpadas e faróis.

O envelhecimento é um dos principais fatores associados, mas não o único. Histórico hereditário aumenta significativamente as chances de desenvolvimento. “Se há casos na família, o risco pode ser até sete vezes maior, o que exige acompanhamento mais frequente”, orienta. Condições como diabetes, traumas oculares e doenças inflamatórias também estão relacionadas.

O diagnóstico não depende apenas da medição da pressão ocular. “Esse é um fator importante, mas não define sozinho a doença. O ponto central é a avaliação do nervo óptico”, destaca. Exames feitos em consulta e testes complementares permitem identificar alterações precoces, antes mesmo de qualquer impacto perceptível na visão. “A tomografia de coerência óptica consegue detectar lesões iniciais, enquanto o exame de campo visual avalia como a visão está funcionando ao longo do tempo”, completa.

O tratamento busca controlar a progressão e preservar a visão existente. A estratégia varia conforme cada caso. “A partir do diagnóstico, estabelecemos uma pressão-alvo e utilizamos recursos para alcançá-la. Isso pode incluir colírios, laser ou cirurgia”, explica. O oftalmologista ressalta que intervenções mais precoces têm ganhado espaço por apresentarem melhores resultados no controle da doença.

A adesão ao acompanhamento é determinante para o sucesso terapêutico. “O controle depende tanto da conduta médica quanto do comprometimento do paciente. Ajustes podem ser necessários para garantir eficácia e qualidade de vida”, pontua. Também é importante evitar o uso indiscriminado de medicamentos, especialmente aqueles que podem influenciar a pressão ocular.

Manter hábitos saudáveis contribui para o cuidado geral, mas não substitui a avaliação especializada. “Atividade física, controle de doenças sistêmicas e atenção à saúde ajudam, porém o acompanhamento oftalmológico é indispensável”, reforça.

Como mensagem da campanha, o especialista enfatiza a necessidade de vigilância contínua. “A orientação é realizar consultas anuais a partir dos 50 anos e verificar se o nervo óptico foi avaliado com atenção. Esse cuidado simples pode permitir identificar precocemente uma condição que, embora não tenha cura, pode ser controlada de forma eficaz, evitando a perda da visão”, finaliza o Dr. Renato Klingelfus Pinheiro.



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