Ministério Público pede inelegibilidade de Furlan e Mário Neto e aponta esquema com mídia e “milícia digital”
O cenário político de Macapá entra em ebulição após o Ministério Público Eleitoral pedir a cassação do prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan e do vice Mário Rocha de Matos Neto, além da inelegibilidade da chapa, por práticas consideradas graves nas eleições de 2024.
No parecer, o MP descreve um conjunto de ações que, segundo o órgão, configuram abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A investigação aponta que a estrutura da comunicação institucional do município foi utilizada para impulsionar a imagem do prefeito, por meio de contratos com empresas de publicidade e veiculação massiva de conteúdos favoráveis em jornal impresso e rádio, criando exposição contínua e desproporcional.
O documento também chama atenção para a existência de uma engrenagem paralela de comunicação, apontada como uma espécie de “milícia digital”, que atuaria nas redes sociais amplificando conteúdos positivos ao gestor e promovendo ataques sistemáticos a adversários políticos e até a integrantes do Judiciário. Esse ambiente, segundo o Ministério Público, contribuiu para desequilibrar o debate público e tensionar o processo eleitoral.
Para o órgão, houve clara distorção da finalidade da publicidade institucional, com uso de recursos públicos para promoção pessoal, inclusive com linguagem e slogans típicos de campanha. Além disso, conteúdos com aparência jornalística teriam sido utilizados como instrumento de propaganda eleitoral disfarçada, reforçando a presença do então candidato durante todo o período eleitoral.
Outro fator que pesa no parecer é a falta de transparência da gestão municipal. Mesmo após determinação judicial, nem todos os documentos necessários foram apresentados, especialmente aqueles que comprovariam a execução dos contratos de publicidade. A omissão, segundo o MP, compromete a apuração completa dos fatos e levanta dúvidas sobre a real destinação dos recursos.
Na avaliação do Ministério Público Eleitoral, não se tratam de episódios isolados, mas de uma estratégia contínua de comunicação — institucional e digital — voltada a favorecer a reeleição, em prejuízo da igualdade de condições entre os candidatos. Por isso, o órgão conclui que houve comprometimento da normalidade e da legitimidade do pleito.
O caso agora aguarda decisão da Justiça Eleitoral e pode ter impacto direto no comando político da capital amapaense.
Matéria reproduzida: Rudinho
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