Leia a Notícia

  • Home
  • Leia a Notícia
Crédito: Max Renê
O Amapá do Mestre Sacaca levou emoção, encantarias e ancestralidade afro-indígena da Amazônia Negra para a Sapucaí 
Por: Redação -


O Amapá do Mestre Sacaca levou emoção, encantarias e ancestralidade afro-indígena da Amazônia Negra para a Sapucaí 

Estação Primeira de Mangueira levantou o público, inspirou elogios e fortes possibilidades de estar no Desfile das Campeãs.

A Marquês de Sapucaí aplaudiu e cantou o Amapá na primeira noite de apresentação das escolas de samba do Grupo Especial, quando a Estação Primeira de Mangueira entrou na avenida com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, um desfile da cultura, ancestralidade e identidade encabeçada por Raimundo dos Santos Souza, o Doutor da Floresta. O enredo escolhido por Mangueira segue o padrão da agremiação, que tem a trajetória marcada por temas que destacam o Brasil sob o olhar da resistência, tradição e mestres da cultura popular. 

O refrão “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá” provocou no público o sentimento de brasilidade e orgulho conjunto, sem barreiras geográficas, com saudações à natureza, evocação das forças ancestrais, desde a comissão de frente, que encantou o público com as onças iluminadas, até o final do desfile, que contou com 3 mil componentes, e se desenvolveu em 27 alas, 5 alegorias e 1 tripé. 

O Amapá foi exaltado em cinco encantos, e o Mestre Sacaca é invocado espiritualmente no primeiro, no ritual do Turé, e se manifesta através do Xamã Babalaô, que retorna à vida para continuar sua missão pela Amazônia Negra. Do Oiapoque, a Mangueira levou as concepções indígenas, sob o olhar cuidadoso do Coletivo Waçá-Wara; do marabaixo, os rituais do Encontro dos Tambores; e das florestas, as encantaria e garrafadas, conhecimentos adquiridos na imersão de pesquisadores da Mangueira na vida e cultura amapaense.

Joãozinho Gomes, poeta amazônida e compositor do samba de enredo, e a intérprete Patrícia Bastos, na concentração da Mangueira
Joãozinho Gomes, poeta amazônida e compositor do samba de enredo, e a intérprete Patrícia Bastos, na concentração da Mangueira
Foto: Max Renê

A secretária de Cultura, Clicia Di Miceli, falou do suporte técnico dado pelo Governo do Estado do Amapá, por intermédio da Secretaria de Cultura e Fundação Marabaixo, para o desenvolvimento do enredo e escolha do samba de enredo. 

“Foram meses de imersão em nossas tradições e costumes, vivências, laboratórios e entrevistas com os mantenedores de nossa cultura, de indígenas aos afrodescendentes, sábios das florestas e das academias, que se dispuseram a colaborar e enriquecer o enredo. Um trabalho muito interativo, a Mangueira tinha suas sugestões, e o GEA também apresentou mapeamentos para que a equipe da escola mergulhasse na história, cultura e geografia, e criasse seus recortes conforme o que viveram no período de cooperação de conhecimentos. Os amapaenses participaram de todo o processo, e com orgulho podemos dizer que nosso poeta Joãozinho Gomes foi gigante na composição poética”, destacou

A secretária de Cultura, Clícia Di Miceli, e Cleane Ramos, marabaixeira do Quilombo do Curiaú
A secretária de Cultura, Clícia Di Miceli, e Cleane Ramos, marabaixeira do Quilombo do Curiaú
Foto: Max Renê

A presença de amapaenses na Sapucaí mostrou que o enredo entrou no coração e empolgou os que estavam na plateia e também quem optou por desfilar na Mangueira.  

A família do mestre Sacaca, incluindo sua viúva Madalena, filhos e netos, foram destaques no último carro. Patrícia Bastos, intérprete amapaense, cantou o samba de empolgação. Personalidades negras de várias gerações também desfilaram, como Francisco Lino, fundador de Boêmios do Laguinho; Pedro Bolão, quilombola que mantém a tradição de confeccionar caixas de marabaixo; Joaquina Jacarandá, pioneira de Mazagão; a militante do movimento negro, Alzira Nogueira; e a jovem quilombola Cleane Ramos, que brilharam nas alegorias. Na bateria, 15 tocadores de caixa de marabaixo completaram o ritmo dos tamborins e surdos. Nas alas, camarotes e arquibancadas, centenas de amapaenses se distribuíram nesta homenagem.

Viúva do Mestre Sacaca, Maria Madalena, presente no carro que fechou o desfile da Estação Primeira de Mangueira
Viúva do Mestre Sacaca, Maria Madalena, presente no carro que fechou o desfile da Estação Primeira de Mangueira
Foto: Max Renê
O sambista Francisco Lino da Silva e a secretária de Cultura, Clícia Di Miceli
O sambista Francisco Lino da Silva e a secretária de Cultura, Clícia Di Miceli
Foto: Max Renê

“Estar na Sapucaí, falando de nossa terra, de um vizinho que foi presente em nossas vidas, não tem como medir a emoção, me sinto honrada e abençoada”, disse a pedagoga Gizele Menezes, que saiu na ala de São Thiago.

Gizele Menezes, pedagoga amapaense, desfilou na ala em homenagem à festa de São Tiago
Gizele Menezes, pedagoga amapaense, desfilou na ala em homenagem à festa de São Tiago
Foto: Arquivo Pessoal
Marcela e Mauro Mansano, vieram da Alemanha para assistir o desfile da verde e rosa em homenagem ao Amapá
Marcela e Mauro Mansano, vieram da Alemanha para assistir o desfile da verde e rosa em homenagem ao Amapá
Foto: Arquivo Pessoal

A macapaense Marcela Coutinho e o paulistano Mauro Mansano moram em Berlin, na Alemanha, e vieram ao Brasil para assistir ao desfile da Mangueira. O casal se preparou para o grande dia e não se decepcionou.

“Muito emocionante ver o carro abre ala com os barcos, rios e florestas, o Sacaca, as garrafadas, muito lindo o Amapá ser representado em um palco do mundo que é a Sapucaí”, disse Marcela, que foi curada de asma com os remédios naturais feitos por Sacaca.

Os saberes, a magia das florestas e das águas, o misticismo, também foi aclamado pela imprensa e crítica especializada em carnaval, que apreciou a verde e rosa mostrando o movimento das marés, a espiritualidade, encantarias, as raízes afro-indígenas que identificam e diferenciam o estado do Norte do Brasil. Nos comentários, os profissionais apontam o desfile da Mangueira como uma das apresentações mais consistentes da noite e credenciando-se entre as favoritas para retornar no Sábado das Campeãs.

O desfile foi acompanhado também em Macapá, na praça da Bandeira, onde o Governo do Estado instalou um telão para o público, que se empolgava a cada novidade que entrava na avenida. Vibrando na intensidade da emoção coletiva, o governador Clécio Luis e o senador Davi Alcolumbre assistiram ao desfile na praça até o amanhecer, quando o último encanto desfilou na Marquês de Sapucaí.

O Brasil conhecerá os campeões do carnaval no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (18), quando a Liga das Escolas de Samba carioca abre os envelopes com as notas dos jurados, a partir de 15:50. Entre os amapaenses, a vitória da Estação Primeira de Mangueira é esperada com ansiedade e festa.

Amapaenses na Marquês de Sapucaí após o desfile da Mangueira
Amapaenses na Marquês de Sapucaí após o desfile da Mangueira
Veja a Galeria de Fotos da Matéria
Crédito: Crédito: Max Renê

🔥 As notícias do dia chegam até você!
Entre no canal oficial no WhatsApp: 📲 Link de Acesso

📰 Assine Grátis o Jornal O GUARANI
Inscreva-se na nossa Newsletter e tenha o Jornal O GUARANI direto no seu WhatsApp ou e-mail.
Crédito: Max Renê


Parceiros Quem apoia o Jornal O GUARANI
Ideal
Nei
Paladar
Casa de Carnes Lobrito
Comercial Lobrito
Governo do Amapá
Rêsto da FAB
Ideal
Paladar
Paladar
Casa de Carnes Lobrito
Comercial Lobrito
Governo do Amapá
Rêsto da FAB

Watch Live

Live Tv
Author

Polical Topic

by Robert Smith
Ouvir notícia
Pronto para ouvir Reproduzindo... Pausado