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A primeira  consulta ninguém esquece: nossa  dívida com Cuba
Por: João Capiberibe * -


A primeira consulta ninguém esquece: nossa dívida com Cuba

Certa vez, no Pantoja — isso já faz tempo, pelo menos vinte anos — era fim de tarde e o Rio Amazonas corria cheio, largo, imenso. Eu tomava uma cerveja com dois amigos quando um homem, sem convite, arrastou uma cadeira, sentou-se ao meu lado e puxou conversa.

Eu não o conhecia.

Disse que sabia tudo de mim. E, sem hesitar, começou a contar a minha própria história — para mim mesmo. Fiquei em silêncio, ouvindo.

Entre tantas pérolas da ficção, afirmou, entusiasmado:

“Eu te seguia daqui quando estavas em Cuba. Eu ouvia tu falares de madrugada pela Rádio Havana! Não perdia um programa!”

Não lhe passava pela cabeça que eu jamais tivesse morado em Cuba. E eu não era maluco de contrariar tamanha convicção. Era evidente: ele não falava comigo, mas com um personagem criado pela própria imaginação.

Permaneci calado.

Seria inútil dizer: “Nunca estive em Cuba.” Ele não ouviria — e, se ouvisse, não acreditaria. Meu silêncio virou confirmação. Foi embora satisfeito, feliz com sua versão dos fatos.

Eu fiquei quase convencido de que havia sido apresentador da Rádio Havana.

Até hoje, quando Cuba entra na conversa, alguém me pergunta:

“E aí, como é a vida lá?”

A verdade é mais simples.

A primeira — e única — vez que eu e Janete estivemos em Cuba foi em 2009. Durante onze dias, Crispin, um amigo que conheci em Moçambique, nos levou em um velho Lada, ao som de fitas cassete, pelos quatro cantos daquele país orgulhoso e cativante — terra de Fidel, Che, Pablo Milanés e Silvio Rodríguez.

Mas Cuba tem dessas coisas.

O que lhe falta em tamanho, sobra em ousadia. Seu povo carrega uma resistência impressionante diante do imperialismo americano. E, ainda hoje, segue sob ameaças — renovadas por Donald Trump, que volta a falar em fazer o que quiser com a ilha.

E é preciso dizer o óbvio:

Os cubanos não atacam ninguém.

Os cubanos não promovem guerras.

Os cubanos enviam médicos e professores ao mundo.

Foram médicos cubanos que ajudaram a Itália no combate à COVID.

Cuba é, de fato, uma ameaça — ou um exemplo incômodo?

Cuba precisa da nossa solidariedade.

E nós temos razões concretas para isso.

Primeiro, por sua coragem histórica — resistir quando tantos sucumbiram.

Segundo, porque sua solidariedade chegou até nós, em carne e osso.

A filha de Seu Deuzuíno, lá do Bailique, é médica formada em Cuba.

O filho de Dorismar e Delcinda, do Oiapoque, também.

E há outros — seis, sete, talvez mais — médicos amapaenses formados lá, sem pagar um centavo, que voltaram para cuidar da nossa gente.

E quem foi atendido pelo programa Mais Médicos?

Milhões de brasileiros.

Gente que teve, com médicos cubanos, a primeira consulta de suas vidas.

E a primeira consulta — essa ninguém esquece.

Agora é a nossa vez.

Vamos retribuir a generosidade do povo cubano.


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(*) Prefeito de Macapá, governador e senador do Amapá. Autor da Lei Complementar nº 131/2009 (Lei da Transparência). Empreendedor da economia verde.



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