A Múltipla Belém
Ah, Belém…
tuas mangueiras são façanhas ingênitas — poesia.
Tuas ruas caleidoscópicas acalentam
a inconstância dos dias mais felizes,
que contrastam com a frieza dos pés descalços
e cães sem destino.
E, ainda assim, tuas estrelas brilham
tais quais diamantes eternos,
e teu sol aquece até os que te maltratam.
Belém, teu fruto é próspero e gentil.
Em tua grandiosidade — rios fartos,
árvores generosas — tudo ofertas aos teus filhos.
Como pode o desarrimo ter em ti lugar?
Tuas bravas samaumas, tuas chuvas, Belém,
tua voz encanta-me em cada esquina.
Ainda que fria seja parte de ti,
noutra parte és repleta e inteiramente amor.













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