Municípios do Amapá se reúnem para fortalecer políticas ações que garantam os direitos de crianças indígenas e quilombolas no estado. Gestores e técnicos municipais irão participar de novo ciclo formativo sobre equidade étnico-racial da iniciativa Selo UNICEF Edição 2025-2028 em Macapá, nos dias 06 e 07 de agosto.. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com o Instituto Peabiru, inicia o 4º Ciclo de Formação da edição 2025-2028 do Selo UNICEF, que será dedicado à equidade étnico-racial nas políticas públicas municipais. A formação integra o Resultado Sistêmico 6 da metodologia do Selo UNICEF e tem como objetivo qualificar gestoras, gestores, técnicos e mobilizadores dos 16 municípios do Amapá para o enfrentamento ao racismo institucional e para a construção de políticas públicas mais equânimes para crianças, adolescentes e jovens indígenas, quilombolas e negros. A programação inclui dois dias de evento, que serão realizados entre 06 e 07 de agosto. No Amapá, 16 municípios participam da atual edição do Selo UNICEF. Neles, vivem 265.804 crianças e adolescentes com menos de 19 anos, além de uma população de 11.334 pessoas indígenas e 12.894 quilombolas. Considerando apenas a faixa de 0 a 17 anos, o Censo 2022 do IBGE registrou, em todo o estado, 5.095 crianças e adolescentes indígenas e 4.611 quilombolas. Diante desse contexto, o encontro irá pautar diversas temáticas, como a adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR), a implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), a revisão dos Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPI) sob a perspectiva étnico-racial e a qualificação de equipes de saúde, educação, proteção social e proteção de direitos para o atendimento culturalmente sensível a crianças, adolescentes e jovens indígenas, quilombolas e negras. "A formação deve ser o ponto de partida para a transformação da gestão pública. Nosso objetivo é que os municípios saiam daqui com mais conhecimento, mas principalmente com compromissos concretos: fortalecer a promoção da igualdade racial, revisar seus instrumentos de planejamento, ampliar a participação social e desenvolver ações que garantam mais equidade para crianças e adolescentes", destaca Adriano do Egito, especialista em equidade étnico-racial pelo Instituto Peabiru, parceiro implementador do Selo UNICEF no Amapá. “O mais importante é que esse aprendizado se transforme em práticas permanentes no território,” finaliza. As atividades do 4º Ciclo de Formação serão realizadas nos dias 06 e 07 de agosto, em Macapá (ESAP - Escola de Saberes Públicos do Estado do Amapá | Av. Mário Cruz, nº 20, Bairro Centro - Cep: 68.900-013, Macapá – AP. Próximo a TOP INTERNACIONAL). O encontro é uma realização do UNICEF com apoio do parceiro implementador Instituto Peabiru, e contará com a participação de lideranças e organizações indígenas e quilombolas, como a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, Instituto de Mulheres Negras do Amapá, Núcleo de Estudo afro-brasileiros e Indígenas da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), Secretaria de Estado da Secretaria Extraordinário dos Povos Indígenas do Amapá e muitos outros.Equidade étnico-racial é novidade na metodologia do Selo UNICEFNesta edição, o Selo UNICEF trabalha, pela primeira vez, a equidade étnico-racial como parte de sua metodologia de mobilização da gestão pública municipal. No ciclo 2025-2028, essa agenda passa a ser transversal a todos os seis Resultados Sistêmicos do programa (saúde, educação, proteção contra as violências, água e saneamento, proteção social e equidade étnico-racial) e conta com um resultado específico dedicado a fortalecer a capacidade dos municípios de enfrentar o racismo institucional. "A implementação desse Resultado Sistêmico de equidade étnico-racial nas políticas públicas é essencial para que políticas municipais atendam de forma justa e equânime e sem discriminação crianças, adolescentes e jovens de diferentes origens étnicas e culturais.", destaca Gabriel Maraslis, Especialista em Equidade Étnico-Racial no UNICEF no Amapá. Dados expõem a vulnerabilidade Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 1.694.836 pessoas indígenas, das quais 35,8% (606.359) têm entre 0 e 17 anos e 1.330.186 pessoas quilombolas, das quais 29,2% (388.156) estão nessa mesma faixa etária. Os povos indígenas em 26 estados e no Distrito Federal, distribuídos em 391 etnias e 295 línguas; as comunidades quilombolas em 24 estados e no Distrito Federal, em 7.666 comunidades e 8.441 localidades. Os indicadores sociais expõem desigualdades profundas. Entre 2021 e 2023, 15.101 jovens e adolescentes foram vítimas de violência letal no Brasil, sendo 83,6% deles negros, segundo o Panorama de Violência Letal e Sexual, lançado pelo UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No mesmo período, foram registrados 94 homicídios de crianças e adolescentes indígenas, concentrados sobretudo em Roraima e no Amazonas. Em 2024, das 87.545 vítimas de estupro e estupro de vulnerável no país, 76,8% eram menores de idade e 55,6% eram negras; entre meninas indígenas de 10 a 14 anos, a taxa de estupro chega a 731,7 casos por 100 mil habitantes, mais de 40 vezes da registrada entre meninos da mesma faixa etária. As desigualdades também aparecem no acesso a serviços essenciais. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, a taxa de analfabetismo entre pessoas quilombolas (18,99%) é mais que o dobro da média nacional (7%). Apenas 79,1% dos adolescentes indígenas de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio em 2024, ante 86,9% dos adolescentes brancos. No acesso à água, o percentual de crianças e adolescentes indígenas sem abastecimento adequado (25%) é 11 vezes maior do que entre crianças brancas (2,2%). Entre a população quilombola, 90% enfrentam algum tipo de insegurança no acesso à água ou ao esgotamento sanitário, e apenas 34,5% das pessoas quilombolas em territórios já titulados têm acesso à água por rede de distribuição. Para a maioria das pessoas negras, o primeiro contato com o racismo ocorre já na primeira infância. Levantamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, do ano passado, mostra que 54% dos responsáveis por bebês e crianças de 0 a 6 anos relataram episódios de racismo vividos por elas em creches ou pré-escolas, e 42% relataram episódios em espaços públicos. SOBRE O SELO UNICEF O Selo UNICEF é uma das maiores iniciativas de fortalecimento de políticas públicas para a infância e adolescência da América Latina. Na última edição (2021-2024), 933 municípios dos 2.023 que foram mobilizados pelo programa receberam a certificação. Isso representa a melhoria de indicadores-chave relacionados à infância e adolescência nestas localidades, como imunização, permanência de crianças na escola e prevenção de violências. A edição atual, que segue até 2028, já atingiu número recorde de adesões, com 2.277 cidades de 18 estados participando da iniciativa: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais (norte do estado), Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. A iniciativa reconhece o esforço dos municípios na promoção, realização e garantia dos direitos de crianças e adolescentes. No Amapá, o Selo UNICEF é implementado pelo Instituto Peabiru. Para o Selo UNICEF, o UNICEF no Brasil conta com a parceria estratégica de Rumo Logística e parceria de RD Saúde. Além disso, o UNICEF tem Equatorial Energia e XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil. SOBRE O UNICEF O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemorou 75 anos no Brasil. O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por doações. Acompanhe nossas ações no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e LinkedIn. Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações. Faça uma doação agora.
Municípios do Amapá se reúnem para fortalecer políticas ações que garantam os direitos de crianças indígenas e quilombolas no estado
Gestores e técnicos municipais irão participar de novo ciclo formativo sobre equidade étnico-racial da iniciativa Selo UNICEF Edição 2025-2028 em Macapá, nos dias 06 e 07 de agosto.
O Fundo das
Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com o
Instituto Peabiru, inicia o 4º Ciclo de Formação da edição
2025-2028 do Selo UNICEF, que será dedicado à equidade
étnico-racial nas políticas públicas municipais. A formação
integra o Resultado Sistêmico 6 da metodologia do Selo UNICEF e tem
como objetivo qualificar gestoras, gestores, técnicos e
mobilizadores dos 16 municípios do Amapá para o enfrentamento
ao racismo institucional e para a construção de políticas públicas
mais equânimes para crianças, adolescentes e jovens indígenas,
quilombolas e negros. A programação inclui dois dias de
evento, que serão realizados entre 06 e 07 de agosto.
No
Amapá, 16 municípios participam da atual edição do Selo UNICEF.
Neles, vivem 265.804 crianças e adolescentes com menos de 19 anos,
além de uma população de 11.334 pessoas indígenas e 12.894
quilombolas. Considerando apenas a faixa de 0 a 17 anos, o Censo 2022
do IBGE registrou, em todo o estado, 5.095 crianças e adolescentes
indígenas e 4.611 quilombolas.
Diante
desse contexto, o encontro irá pautar diversas temáticas, como a
adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial
(SINAPIR), a implementação da Política Nacional de Gestão
Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), a revisão dos
Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPI) sob a perspectiva
étnico-racial e a qualificação de equipes de saúde, educação,
proteção social e proteção de direitos para o atendimento
culturalmente sensível a crianças, adolescentes e jovens indígenas,
quilombolas e negras.
"A
formação deve ser o ponto de partida para a transformação da
gestão pública. Nosso objetivo é que os municípios saiam daqui
com mais conhecimento, mas principalmente com compromissos concretos:
fortalecer a promoção da igualdade racial, revisar seus
instrumentos de planejamento, ampliar a participação social e
desenvolver ações que garantam mais equidade para crianças e
adolescentes", destaca Adriano do Egito, especialista em
equidade étnico-racial pelo Instituto Peabiru, parceiro
implementador do Selo UNICEF no Amapá. “O mais importante é que
esse aprendizado se transforme em práticas permanentes no
território,” finaliza.
As
atividades do 4º Ciclo de Formação serão realizadas nos dias 06
e 07 de agosto, em Macapá (ESAP - Escola de Saberes Públicos do
Estado do Amapá | Av. Mário Cruz, nº 20, Bairro Centro - Cep:
68.900-013, Macapá – AP. Próximo a TOP INTERNACIONAL). O
encontro é uma realização do UNICEF com apoio do parceiro
implementador Instituto Peabiru, e contará com a participação de
lideranças e organizações indígenas e quilombolas, como a
Secretaria de
Estado dos Direitos Humanos, Instituto de Mulheres Negras do Amapá,
Núcleo de Estudo afro-brasileiros e Indígenas da Universidade do
Estado do Amapá (UEAP), Secretaria de Estado da Secretaria
Extraordinário dos Povos Indígenas do Amapá e muitos outros.
Equidade
étnico-racial é novidade na metodologia do Selo UNICEF
Nesta
edição, o Selo UNICEF trabalha, pela primeira vez, a equidade
étnico-racial como parte de sua metodologia de mobilização da
gestão pública municipal. No ciclo 2025-2028, essa agenda passa a
ser transversal a todos os seis Resultados Sistêmicos do programa
(saúde, educação, proteção contra as violências, água e
saneamento, proteção social e equidade étnico-racial) e conta com
um resultado específico dedicado a fortalecer a capacidade dos
municípios de enfrentar o racismo institucional.
"A
implementação desse Resultado Sistêmico de equidade étnico-racial
nas políticas públicas é essencial para que políticas municipais
atendam de forma justa e equânime e sem discriminação crianças,
adolescentes e jovens de diferentes origens étnicas e
culturais.", destaca Gabriel Maraslis, Especialista em
Equidade Étnico-Racial no UNICEF no Amapá.
Dados
expõem a vulnerabilidade
Segundo
o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 1.694.836 pessoas indígenas, das
quais 35,8% (606.359) têm entre 0 e 17 anos e 1.330.186 pessoas
quilombolas, das quais 29,2% (388.156) estão nessa mesma faixa
etária. Os povos indígenas em 26 estados e no Distrito Federal,
distribuídos em 391 etnias e 295 línguas; as comunidades
quilombolas em 24 estados e no Distrito Federal, em 7.666 comunidades
e 8.441 localidades.
Os
indicadores sociais expõem desigualdades profundas. Entre 2021 e
2023, 15.101 jovens e adolescentes foram vítimas de violência letal
no Brasil, sendo 83,6% deles negros, segundo o Panorama de Violência
Letal e Sexual, lançado pelo UNICEF e o Fórum Brasileiro de
Segurança Pública. No mesmo período, foram registrados 94
homicídios de crianças e adolescentes indígenas, concentrados
sobretudo em Roraima e no Amazonas. Em 2024, das 87.545 vítimas de
estupro e estupro de vulnerável no país, 76,8% eram menores de
idade e 55,6% eram negras; entre meninas indígenas de 10 a 14 anos,
a taxa de estupro chega a 731,7 casos por 100 mil habitantes, mais de
40 vezes da registrada entre meninos da mesma faixa etária.
As
desigualdades também aparecem no acesso a serviços essenciais. De
acordo com o Censo Demográfico de 2022, a taxa de analfabetismo
entre pessoas quilombolas (18,99%) é mais que o dobro da média
nacional (7%). Apenas 79,1% dos adolescentes indígenas de 15 a 17
anos estavam matriculados no ensino médio em 2024, ante 86,9% dos
adolescentes brancos. No acesso à água, o percentual de crianças e
adolescentes indígenas sem abastecimento adequado (25%) é 11 vezes
maior do que entre crianças brancas (2,2%). Entre a população
quilombola, 90% enfrentam algum tipo de insegurança no acesso à
água ou ao esgotamento sanitário, e apenas 34,5% das pessoas
quilombolas em territórios já titulados têm acesso à água por
rede de distribuição.
Para
a maioria das pessoas negras, o primeiro contato com o racismo ocorre
já na primeira infância. Levantamento da Fundação Maria Cecília
Souto Vidigal, do ano passado, mostra que 54% dos responsáveis por
bebês e crianças de 0 a 6 anos relataram episódios de racismo
vividos por elas em creches ou pré-escolas, e 42% relataram
episódios em espaços públicos.
SOBRE
O SELO UNICEF
O
Selo UNICEF é uma das maiores iniciativas de fortalecimento de
políticas públicas para a infância e adolescência da América
Latina. Na última edição (2021-2024), 933 municípios dos 2.023
que foram mobilizados pelo programa receberam a certificação. Isso
representa a melhoria de indicadores-chave relacionados à infância
e adolescência nestas localidades, como imunização, permanência
de crianças na escola e prevenção de violências.
A
edição atual, que segue até 2028, já atingiu número recorde de
adesões, com 2.277 cidades de 18 estados participando da iniciativa:
Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas
Gerais (norte do estado), Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco,
Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
A iniciativa reconhece o esforço dos municípios na promoção,
realização e garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
No
Amapá, o Selo UNICEF é implementado pelo Instituto Peabiru.
Para
o Selo UNICEF, o UNICEF no Brasil conta com a parceria estratégica
de Rumo Logística e parceria de RD Saúde. Além
disso, o UNICEF tem Equatorial
Energia e XBRI
Pneus como parceira estratégica
para toda sua atuação
no Brasil.
SOBRE
O UNICEF
O
UNICEF, Fundo das
Nações
Unidas para a Infância,
trabalha para proteger os direitos de cada criança
e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais
vulneráveis,
nos locais mais remotos. Em mais de 190 países
e territórios,
fazemos o que for preciso para ajudar crianças
e adolescentes a sobreviver,
prosperar e alcançar
seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemorou 75
anos no Brasil.
O
trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por doações.
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