Caçambeiros protestam em frente à Prefeitura de Macapá cobrando pagamentos da Top Construções
Empresa também é alvo de investigação da Polícia Federal sobre pagamento de R$ 2,6 milhões realizado pela Prefeitura de Macapá
Um grupo de proprietários de caminhões-caçamba que presta serviços para a empresa Top Construções e Serviços Ltda. realizou um protesto em frente à Prefeitura de Macapá, na manhã desta quarta-feira (29), cobrando o pagamento de faturas que, segundo eles, estão em atraso.
Os trabalhadores afirmam que executaram serviços contratados pela empresa, mas ainda não receberam pelos serviços prestados. O protesto ocorreu em frente ao prédio da prefeitura e chamou a atenção de servidores e de pessoas que passavam pelo local.
A manifestação ocorre em um momento em que a Top Construções também figura em uma investigação conduzida pela Polícia Federal sobre um pagamento de aproximadamente R$ 2,6 milhões realizado pela Prefeitura de Macapá.
Empresa recebeu R$ 2,6 milhões da Prefeitura após afastamento de Furlan
A Top Construções ganhou repercussão no Amapá após a divulgação de que recebeu aproximadamente R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Macapá apenas oito horas depois do afastamento do então prefeito Antônio Furlan e do vice-prefeito Mário Neto, em março de 2026.
O pagamento foi divulgado pelo Gabinete de Emergência e passou a integrar as apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da operação que investiga supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos da Prefeitura de Macapá.
De acordo com documentos da investigação, a rapidez na liberação dos recursos chamou a atenção dos órgãos de controle e o repasse passou a ser analisado pela Polícia Federal.
Outro aspecto apontado na investigação diz respeito ao perfil da empresa. A filial da Top Construções em Macapá foi aberta em 16 de janeiro de 2026, pouco mais de dois meses antes de receber o pagamento milionário da administração municipal.
Apesar do nome empresarial remeter ao setor da construção civil, o cadastro da empresa na Receita Federal informa como atividade econômica principal o comércio varejista de artigos de papelaria. Além disso, mantém um amplo rol de atividades secundárias, incluindo engenharia, obras de urbanização, locação de máquinas, informática, monitoramento eletrônico, restaurantes, fabricação de alimentos, comércio de bebidas e serviços administrativos.
Pagamento integra investigação da Polícia Federal
O pagamento realizado pela Prefeitura de Macapá em favor da Top Construções integra o conjunto de fatos analisados pela Polícia Federal na investigação que resultou no afastamento cautelar de Antônio Furlan e Mário Neto, por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão, o ministro apontou indícios de irregularidades em contratos públicos e considerou necessária a adoção de medidas cautelares para preservar a investigação e evitar eventual interferência na produção de provas. Posteriormente, Flávio Dino prorrogou, por prazo indeterminado, o afastamento de Mário Neto, acolhendo pedido da Polícia Federal que apontou a permanência dos riscos às investigações.
Trabalhadores cobram solução
Enquanto as investigações seguem em andamento, os caçambeiros afirmam estar acumulando prejuízos em razão da falta de pagamento pelos serviços prestados à Top Construções.
Segundo os manifestantes, os trabalhos foram executados regularmente, mas os valores ainda não foram quitados pela empresa, levando dezenas de prestadores de serviço a recorrer ao protesto público para cobrar uma solução.
A Polícia Federal continua apurando os fatos relacionados ao pagamento de aproximadamente R$ 2,6 milhões realizado pela Prefeitura de Macapá. Até o momento, a Top Construções não é acusada criminalmente no caso, e a investigação segue em andamento.
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