Entre poesia e cidade: Bruno Muniz marca presença no 2º Porto Literário, no Sesc Centro
Escritor amapaense integrou mesa de debate sobre poesia urbana ao lado de nomes da cena literária local; evento reuniu leitores, autores e livros num dos espaços de lazer mais frequentados de Macapá
A literatura tomou conta do Sesc Centro na noite de quinta-feira. O 2º Porto Literário, parceria entre a editora amapaense Ozezeu e o Sesc, reuniu escritores, poetas e leitores numa noite dedicada à palavra escrita e à cena cultural do Amapá. Entre os convidados, o escritor Bruno Muniz, um dos nomes mais ativos da literatura local. O evento foi realizado na quinta-feira, 30, no Sesc Centro, em Macapá.
O evento teve como destaque o lançamento de Setentrional, do poeta Thiago Kingosta. Para celebrar o momento, foi formada uma mesa de debate temática com o título Poesia que pulsa na cidade — proposta que refletiu exatamente o espírito da noite: uma literatura que sai das estantes e ganha as ruas.
"A pegada é urbana mesmo. A gente falando muito da cidade, saindo das estantes e indo para as esquinas", resumiu Bruno Muniz ao falar sobre o encontro.
Ao lado da cineasta e poetisa Valcante — chamada por Bruno de "decana da poesia amapaense" — e do rapper e escritor Empreteado, ele compôs uma mesa que misturou gerações e linguagens em torno da poesia que nasce do cotidiano urbano.
Do Amapá para as prateleiras: as obras de Bruno Muniz
Bruno Muniz tem quatro obras publicadas, cada uma com uma identidade própria:
- Emília — romance publicado pela editora Ozezeu, obra que esteve à venda durante o Porto Literário e que representa sua produção em prosa;
- Sem versos putos sobre mim — título de poesia com linguagem direta e subjetiva;
- Mar — um projeto editorial singular: o livro acompanha envelopes para que o leitor destaque os poemas e os envie para quem quiser. Uma obra pensada para circular entre pessoas;
- Poesia para Vilarejos — trabalho colaborativo que reuniu 45 artistas. "Ficou muito bonito", disse o autor, com evidente satisfação.
A literatura como escolha de vida
Para os jovens que sonham em escrever, Bruno tem um conselho simples — e que ele próprio seguiu: ler muito, ler sempre.
"Antes de tudo, se tornar um grande leitor. Se você tem a ambição de ser escritor, precisa ler tudo que tiver em mãos — dos clássicos aos contemporâneos. De tanto ler diferentes formas e estilos, você vai achando a sua voz."
Mas a leitura, para ele, é só o começo. O caminho exige também cuidado com a produção — boa revisão, diagramação caprichada, ilustrações quando necessário — e disposição para fazer o livro chegar ao público.
"Você tem que fazer acontecer. No começo, meus livros rodavam pelos blogs literários do Brasil inteiro. Foi assim que as pessoas foram me conhecendo."
O Porto Literário e seu papel na cultura local
A iniciativa nasceu da parceria entre a editora Ozezeu e o Sesc para criar um espaço regular de lançamentos e encontros literários na cidade. O nome Porto Literário carrega uma ideia de passagem, de chegada — um porto onde os livros atracam.
"O Sesc não é um local para a literatura, mas a literatura escolheu o Sesc", refletiu Bruno. "O espaço de lazer do Sesc Centro se transforma numa verdadeira biblioteca. Tem muito livro, muitos escritores. Fica muito divertido."
O evento segue o calendário da editora, que fecha datas com o Sesc a cada novo lançamento — tornando o Porto Literário uma vitrine crescente da produção literária amapaense.
Acompanhe o trabalho de Bruno Muniz pelo Instagram: @brunomuniz.art
Veja a Galeria de Fotos da MatériaCrédito: Arquivo pessoal
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