Meri
Ela, na mesa da vida, não espera por nada; vai no trem que lhe couber e escolhe bem as paradas. Mas, na mesa das decisões, sente-se pressionada e usa a intuição — essa nunca está errada.
E ela vive os seus dias, um a um, e continua na estrada; suas chuvas já não molham, apenas libertam as dúvidas aprisionadas.
E assim vê o arco-íris brilhar depois de alguns temporais, e o sol livre está lá para aquecê-la — bálsamo & dádiva.
E no peito, os amores que não a abandonam jamais— carrega consigo só aquilo que não jaz.
80 anos já foram; ela não os conta mais. Sai de chapéu no inverno, sem olhar para trás.
Imagem:Laura Rodrigues













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